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Unindo diversas experiências clínico-pedagógicas de seus diretores, o Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP) surgiu em 1980. Gradativamente foi estruturando uma identidade e articulando uma proposta própria dentro da crescente complexidade do campo psicanalítico paulista.
Em 2010, completa 30 anos trabalhando na investigação clínica, na transmissão e na divulgação da Psicanálise. Em 1997, a instituição se tornou oficialmente uma Organização Não-Governamental (ONG), com o objetivo de criar uma estrutura que viabilize o desenvolvimento de projetos, adequando os nossos instrumentos teóricos e técnicos às necessidades da comunidade.
Três eixos norteiam a proposta do CEP:
1. Uma formação pluralista, que inclua todos os discursos desenvolvidos no campo conceitual freudiano. Reconhecemos que essa troca entre os discursos é um fenômeno profundamente enriquecedor no desenvolvimento de um referencial clínico-teórico singular e próprio a cada sujeito-analista. Assim, nossa ética deixa de estar submetida ao poder de um dogma único, seja teórico, seja institucional.
2. A consideração da Psicanálise como ciência independente, com seu próprio objeto de estudos, não subordinada a nenhum outro campo científico e, consequentemente, não sendo propriedade de nenhuma ciência-profissão-corporação, mas território específico, requerendo uma formação própria.
3. A compreensão da formação como a integração do instrumental conceitual-experiencial, que capacite operar a escuta; não como atividade restrita a um ofício (consultório), mas levando em conta que seu objeto de estudo está presente em toda situação humana, tornando a Psicanálise um instrumental potencializador nas diversas práticas sociais.
ANO 2010
Completamos 30 anos! No início éramos quatro espremidos colegas e dois pequenos grupos de estudo entre poucas e duras paredes. Hoje somos 250 colegas psicanalistas que irão participar de várias atividades, seminários teóricos, estudar casos, supervisionar, apresentar casos, debater, conferenciar, comentar filmes e até tocar violoncelo. Espaço de convivência impossível nas coordenadas cartesianas. Que geometria usamos para realizar esse enorme esforço de fazer caber tantos psicanalistas em um espaço tão pequeno? A administração das bordas precisou de habilidades e esforços artísticos mais do que geométricos para a construção de uma arquitetura que sobreviveu graças à sua plasticidade re-acomodando constantemente suas fronteiras e criando figuras e formas sempre surpreendentes. O esforço arquitetônico foi pautado definitivamente pela intenção de “fazer caber a diferença”.
O aprendizado do pluralismo é uma das colunas que sustentam esta construção.
Quero mencionar outra das colunas de sustentação fundamental: nossa vocação clínica. Sedimentamos ao longo dos anos um grande número de parcerias e projetos na firme intenção de articular: de um lado, as enormes demandas sociais de uma população carente de serviços e, do outro lado, um grande número de analistas precisando de prática clínica para a construção da própria escuta. Partimos da constatação de que a demanda analítica não é prévia à presença do analista. Assim é que nos aventuramos fora dos consultórios ou levando os consultórios para as diversas práticas e setores da sociedade.
Na sequência dessas inquietações, neste ano re-organizamos parcerias para a construção dos Núcleos de Formação Permanente - Práticas Clínicas que articulam vários dispositivos em torno de cada prática em questão. Esperamos que os Núcleos possam existir, persistir e se desenvolver. Feliz 30!
Ernesto Duvidovich
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